A Academia de Letras, Artes e Ciências Centro-Norte do Paraná, fundada em vinte e sete de julho de 2000, é uma sociedade civil sem fins lucrativos, que tem por finalidade o cultivo, a preservação e a divulgação do Vernáculo e da Literatura - nos seus aspectos científico, histórico, literário e artístico - bem como das Artes e das Ciências, podendo participar de iniciativas úteis ao desenvolvimento cultural da região, do Paraná e do Brasil.
Livro de Pedro Cagna - Os Segredos da Amazonia
LIVRO TITULO: Os segredos da Amazônia
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Autor: Pedro Cagna
Assim, tudo começou...
A consolidação do domínio econômico e militar da América Latina, sempre foi uma das prioridades do governo dos EUA. O objetivo é sempre o mesmo: assegurar o controle dos recursos naturais desses paises, procurando mantê-los cada vez mais dependentes economicamente, haja visto o crescente processo de militarização em alguns países do Hemisfério Sul. Sobre o pretexto da necessidade de "dar combate" ao narcotráfico e, agora ao terrorismo, agentes federais norte-americanos, circulam por ai livremente, acreditando ser o bastante para justificar suas presenças. A estratégia usada, além da forma de controle através do fornecimento de mecanismo, como o Sivam, inclui ainda, treinamento de militares latino americanos, visando criar um comando unificado para dar combate ao terrorismo na América Latina. Uma das regiões prioritárias para atuação desse comando é a Tríplice Fronteira. Ali, localiza-se o Aqüífero Guarani, considerado o maior reservatório de água doce do mundo. No entanto, nunca se comprovou a existência de atividades terrorista naquela região. O autor convida o leitor a reavaliar o conceito de soberania, viajando através dessa eletrizante aventura, sobre "OS SEGREDOS DA AMAZONIA". D.TRACY / O Autor ISBN: 85-7493-698-7 Número de páginas: 120 Formato: 14x21 Editora: Publit | |
Texto de Ênio Toniolo - MITOS REPUBLICANOS
MITOS REPUBLICANOS
Nossa república se baseia em alguns mitos, que não resistem a uma análise, mesmo superficial.
1º mito: O povo está sempre ansioso para votar.
Se é assim, por que o voto é obrigatório? Voto é direito, não dever. Do jeito que está, significa que o sujeito está preparado para escolher o dirigente máximo da nação, mas não para decidir se vai ou não depositar seu voto na urna! Nos Estados Unidos, onde vota quem quer, nas eleições de 1974, só metade dos eleitores compareceram (Folha de S. Paulo, 10-11-1974); em 1978, 63% do eleitorado fugiu das urnas (Folha de S. Paulo, 19-11-1978). No primeiro turno numa das eleições presidenciais búlgaras, a participação dos eleitores foi inferior a 50% (Folha de Londrina, 23-10-2006). A revista Veja (nº 1971, p. 57, 30 ago 2006) inquiriu por telefone dois mil brasileiros (agosto de 2006) e descobriu que, se o voto não fosse obrigatório, 57% não iriam votar. Nas eleições para o Parlamento Europeu, só compareceram 45,5% dos eleitores em 2004; em 2009, a porcentagem baixou para 43%. (Folha de São Paulo, 08-06-2009, p. A-12)
2º mito: A república tem que se basear em partidos políticos.
Que partidos? Os que temos? Estes grupinhos de aproveitadores, normalmente sem ideologia, que aparecem, desaparecem e o povo nem nota? O povão não participa deles, desconhece onde ficam as sedes nem vai lá, porque não teria o que fazer... No Paraná de 2012, apenas um em cada dez cidadãos filiou-se a um partido. (Ver: <http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=1256652&tit=Um-em-cada-dez-cidadaos-no-estado-sao-filiados-a-partidos-politicos>.) Em qualquer partido, é uma pequena cúpula que "fecha" em torno deste ou daquele nome. Pronto, acabou. O eleitor não é ouvido nem cheirado. Por exemplo, contam que o Collor hesitou, na hora de escolher o candidato a vice, entre dois nomes de Minas Gerais que arrastassem bastante voto:
Livro de Pedro Cagna - “Crack! Afaste essa pedra do seu caminho."
Caros Amigos Acadêmicos!
Tenho a honra de compartilhar o sucesso do meu livro “Crack! Afaste essa pedra do seu caminho.
Abraços,
Pedro Cagna,
Suprimento.
CARAMURU ALIMENTOS S.A.- Apucarana (PR)
(43) 3420-4822
PS: Em breve a resenha.
Suprimento.
CARAMURU ALIMENTOS S.A.- Apucarana (PR)
(43) 3420-4822
PS: Em breve a resenha.
O ESCRITOR É TAMBÉM EXCRETOR
O ESCRITOR É TAMBÉM EXCRETOR
*CAVALCANTI, Afonso de Sousa"
Resumo
Alguns pensadores afirmam que "Escrever é um dom"; "Escrever é vocação"; "Para escrever é preciso inspiração". Muitas pessoas procuram profissionais de renome para testar a qualidade de seus escritos. Possivelmente elas mesmas já podem ter a resposta, basta que elas se certifiquem do quanto lêem e do tempo que gastam pensando para definir e conceituar sobre o que escrevem. O presente estudo quer desenvolver hábitos para exorcizar os fantasmas do medo de não saber expressar seus pensamentos. Para tanto, o estudo analisa: a) ORLANDI, Eni Puccinelli. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. S. Paulo: Brasiliense, 1983; b) TÁVOLA, Artur da. Jornal O GLOBO, de 28/02/1999; c) PERES, Marcolino Suely. Comunicação e expressão e literatura IV. INSEP, 2006. Para eles, o professor precisa cultivar a compaixão pelos futuros escritores. Ensinam que "A inclusão do excluído, ou a inclusão do outro", precisa ser encarada com seriedade. Argumentar-se-á que: escrever com qualidade consiste em utilizar-se de definições e conceitos e produzir o texto. Depois, deixar o texto descansar. A pressa para revisar o texto deve ser deixada de lado. A correção do texto precisa ser implacável, sem dó, sem medo e ressentimento. Deve-se arrancar da antiga escrita o que não agrada por não especificar, discernir e facilitar a compreensão daquilo que está sendo dito. O tempo para corrigir não importa. Pode levar dias, meses, anos. Busca-se libertar para a ordem, a sensibilidade e o entendimento. O estudo conclui que: qualquer pessoa, não importa a profissão assumida ou a simples função que ocupa temporariamente, esta tem necessidade em dominar bem algumas boas formas de comunicação. Ao relacionar-se com os outros, passando-lhes suas mensagens escritas ou orais, é que o escritor percebe que ler e ler atentamente, é muito importante para falar e escrever. É no momento de colher resultados que o leitor e o excretor são o escritor. A presença de espírito, por ter a coragem de afastar os fantasmas - a preguiça de ler, a busca constante do aperfeiçoamento - fará surgir a humildade intelectual e abrirá a mente do escritor que soube excretar os negativos para a boa expressão, não importa por quais gêneros textuais e orais use. Palavras-chave: Escritor e excretor. Dom e conquista. Comunicação e resultado.
*MS em Filosofia e Dr em Educação, Administração e Comunicação, Professor de Filosofia, Sociologia e Política Educacional Brasileira na FAFIMAN.
1. Introdução
Aprende-se que um profissional não nasce feito, apesar de que alguns pensadores defendam que o ser humano é portador de potencialidades inatas, na forma como ensinou Aristóteles. Este filósofo ensinava que algumas pessoas nascem com potencialidades diferenciadas, tais como: os dons para a música, a dança, a pintura, a escultura, o atletismo, o esporte etc. Alguns pensadores afirmam que: "Escrever é um dom"; "Escrever é vocação"; "Para escrever é preciso inspiração". Muitas pessoas procuram profissionais de renome para testar a qualidade de seus escritos. Possivelmente elas mesmas já podem ter a resposta: basta que elas se certifiquem do quanto leem e do tempo que gastam pensando para definir e conceituar sobre o que escrevem. Desta forma, o presente estudo quer dialogar a respeito de diversas questões sobre as atividades de quem escreve.
Diversos são os questionamentos que surgem nas salas de aula e nos ambientes onde se dialoga a respeito do "fazer escritor". Em tais estudos podem ser questionados: o texto como produto e o texto como processo; o conhecimento dos professores que orientam os aprendizes para que desenvolvam a capacidade de pensar, de coordenar suas ideias e de elaborar um texto; o tempo necessário para a produção de um texto: da observação sobre a matéria, da abstração e da materialização das ideias que serão postas no papel; do tempo necessário para que o texto descanse e possa ser reescrito; a parceria entre aquele que extrai das fontes as ideias com aquele(s) que intermedeiam a escritura e reescritura dos textos.
O CHAZINHO DA FREIRA
Conversa vai, conversa vem, e a novela das oito, da Rede Globo de televisão, terminou. Edertrudes observou Reginaldo, já no cochilo, e lhe disse lembre mais: é um chazinho porrete para tosse, resfriado, rouquidão e mal olhado.
Reginaldo arregalou os olhos por que discordava da conversa de Edertrudes que foi logo dizendo: :
- Antes de você ir dormir, irei preparar o chazinho milagroso que nos ensinaram no encontro de casais. Acredito que você nem se recorda mais dele. É um chá milagroso, um santo remédio.
Reginaldo responde em tons de descrença e contraria os interesses de Edertrudes:
- Mal olhado, que nada! Acredito mesmo é no poder de uma boa injeção, seja lá do que for. Chá é coisa do passado, de gente que não conhece a ciência.
Possivelmente o velho estaria equivocado. Discordar de algo que ainda não conhecemos é de fato uma atitude impensada e indelicada. Não é só do conhecimento científico que a humanidade viveu até hoje. Sabe-se que a pessoa humana está no Planeta Terra num tempo superior a quarenta milhões de anos. O homo sapiens vem fazendo sua história a mais de um milhão de anos. Na qualidade de cientista mesmo, de sábio experimentador, o ser humano completou quinhentos anos e não faz muito tempo, pois sua história foi marcada com o Renascimento, com a Revolução Científica, século XV. Os milhares de anos para trás são testemunhas de que muitos chás foram feitos e estes tinham uma finalidade.
Chega de desviar a conversa! Vamos buscar a Vovó para que ela nos ensine as técnicas e o segredo do chazinho da freira. Vovó caminha para a cozinha e pede para Carlinhos, por sinal o neto mais obediente, para que vá ao quintal e traga de lá um pouco de rama de erva doce e de eucalipto. O rapaz mais que depressa ajeitou os pedidos de sua avó e voltou para o computador, onde consultava alguns sites sobre gastronomia e engenharia da comunicação – campo, aliás, que ele gosta muito.
De posse das folhas de eucalipto, da rama de erva doce, do pote de mel, de outros ingredientes e ferramentas, Edertrudes começou a ensinar a receita:
- Primeiro toma-se uma chaleira de alumínio e coloca nela a quantia de água desejada – aproximadamente de 100 a 150 ml por pessoa. Leva-se ao fogo para ferver. Enquanto a água ferve, aquele que irá fazer o chá, toma uma faca de cozinha, ajeita seu fio (corte ou amolação) e começam os preparativos. Os ramos de erva doce e as folhas de eucalipto devem ser postos sobre uma tábua de cortar carne. Os ingredientes devem ser cortados em cruz. Enquanto corta, aquele que faz o chá precisa pensar profundamente na animação dos vegetais que estão sendo sacrificados. Os vegetais possuem uma alma que faz parte de sua origem. Neles está contido o poder da cura e não precisa ser cientista para saber disto. Os vegetais têm esta propriedade, por sua própria natureza. O que nós precisamos fazer é escolher bem qual vegetal iremos usar e para que serve a nossa escolha.
Edertrudes é interrompida pela cozinheira da família, Terezinha. Esta, quando percebeu que a velha foi para o fogão, depressa saiu de seu quarto e veio ver o que estava acontecendo na cozinha. Foi logo falando à antiga patroa:
- Dona Edertrudes, por favor! Vou-lhe fazer o chá pretendido, mas a velha interrompeu a empregada e não deixando que ela a interrompesse, foi falando:
- Estou realizando uma tarefa singular. Quero ensinar que a fé nos elementos da natureza tem grande valor. As plantas medicinais têm nelas o poder da cura. Vou cortar a erva doce e o eucalipto em cruz porque penso em nome daquele que morreu na cruz e mais, ele é unidade com seu Pai que é o criador do mundo. Tudo veio dele e para ele irá retornar. O corte em cruz é mais forte ainda porque, sendo as ramas dos vegetais bem finas, cortando-as em cruz, estas ficarão mais sensíveis à força da água fervendo, no momento de se fazer o chá.
Neste momento a gente olha a velha que fala com sabedoria, mas que também não perde a pose de saber pilotar bem o fogão. O chá é mais gostoso, mais proveitoso, quando é feito com cuidado. A velha sabe o que está fazendo e então vamos dar crédito a ela. Novamente ouvimos Edertrudes:
- A água está pulando na chaleira. É hora de aprontar o chá. Os ingredientes estão cortados e devem ser postos dentro de uma caneca de alumínio. Primeiro, coloca-se a erva doce, depois o eucalipto. A água será despejada bem de perto para que não perca a fervura e possa cozinhar bem as ervas cortadas. Em seguida, tapa-se a caneca com o fundo da chaleira, de tal forma a não permitir a saída do vapor que contém a essência das duas plantas – digamos as almas vegetativas que serão objetos da cura pretendida. Uma vez realizada a tarefa, antes de destampar a caneca, toma-se um limão e o corta em duas partes. Em seguida é só espremê-lo no chá quente e acrescentar um pouco de mel ou de açúcar, de forma a adoçá-lo adequadamente. O chá está pronto para servir.
Os presentes na casa ficaram interessados no chá da vovó e vieram á cozinha experimentá-lo. Mais do que depressa queriam prová-lo. A velha trancou a passagem que levava para a pia da cozinha e foi ensinando:
- Todos vamos tomar o chazinho da freira, mas juntamente com ele precisamos completar o restante da receita. Recomenda a receita que o chá terá maior efeito se for acompanhado de uma boa ascese: a reza do terço.
Sobre este ensinamento, o pessoal da casa ainda não tinha ouvido de ninguém.
- Tomar chá rezando o terço, disse Reginaldo, ora essa agora! Vou rezar porque não posso ir dormir sem tomar este bendito chá que está exalando um cheiro bom aqui na sala.
- A cada Ave-Maria e a cada Pai Nosso, toma-se um golo do chá. O resultado será visto amanhã e nos dias seguintes, disse Edertrudes.
Chazinho da freira. É a primeira vez que ouço dizê-lo. Tenho dificuldade em fazê-lo por não possuir as essências indicadas pela Vovó Edertrudes. De chá das freiras, apenas ouvi o professor de História Geral contando sobre o costume antigo. Para ele, os pais mandavam para o colégio algumas de suas filhas, aquelas que passavam da idade para se casar. Não tendo vocação, muitas dessas moças encontravam às escondidas com elementos de mau caráter e se engravidavam. As grávidas escondiam facilmente a barriga, dentro do hábito. Na certa não era só uma freira que se engravidava. O hábito era constante, de forma que a grávida recebia solidariedade das outras que já haviam experimentado a gravidez. O ditado diz que "com uma mão se lava a outra e com as duas se lava a cara". Assim sendo, o dia de dar à luz chegava. A criança vinha ao mundo. O recém-nascido era posto na porta do convento. Uma irmã que já sabia do caso anunciava que uma criança nos foi dada na porta do Convento. Dizia às demais:
- É um presente de Deus. Deus não falha na sua bondade! Ele irá operar um milagre em um de nós. Vamos fazer um chá, o chá do Sagrado. Ao tomá-lo, renderemos graças a Deus pelo presente que nos foi dado e com fé. As almas dos vegetais contidas no chá irão fazer brotar o leite de peito em uma de nossas irmãzinhas. A que for abençoada por Deus tomará a criança e a amamentará para a graça de Deus.
O milagre já tinha acontecido: o filho já havia sido dado e não tardaria o leite jorraria e molharia o hábito da freira mamãezinha. Do mesmo modo que o leite jorrava no seio daquela freira sem vocação religiosa, a essência das ervas cortadas em cruz por Edertrudes também nos ajudam a entender que a fé em Deus também cura.
Afonso de Sousa CAVALCANTI
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