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Conto de Afonso Cavalvanti - O lado do bem e o lado da maledicência

O lado do bem e o lado da maledicência
Afonso de Sousa Cavalcanti
        Creia pois, Pereira, um baita missionário redentorista, apareceu um dia destes em um local chamado Pedrinha. Ali estavam reunidos alguns dos ex-seminaristas redentoristas e seus convidados, aqueles que vivem repetindo:
- Uma vez redentoristas, sempre redentoristas!
        O missionário Pereira não veio com este lema na boca, mas concordou plenamente com ele porque é amigo do Anchieta, que é amigo do Desidério e que são discípulos seguidores de um missionário porreta, o que nos ensinou a vibrar com o arriba, o Libardi, o santo do Tietê.
- Não sou grande conhecedor de Teologia e por isso vou explicar um pouco sobre a teologia prática que experimentei em minha vida, afirmou o missionário.
        Quase todos olharam admirados para a simplicidade daquele paulista, de perto de São João da Boa vista, pois ele se apresentou de pés no chão e explicou o motivo de ele estar assim despreocupado.
- Gostei muito do gesto do senhor pregador e se o senhor me permite, de ora em diante não terei receio em me apresentar ao meu público, também de pés no chão, afirmou a senhora Marina.
        Nosso bom apresentador trouxe poemas de sua autoria, mas convenceu seu público narrando casos, de forma que o Jandaia implorou para ele:
- Na condição de professor orientador de trabalhos científicos, solicito e o aconselho para que doravante Vossa Senhoria escreva estes seus causos no gênero contos, crônicas ou outros. Destine estes seus escritos para alunos do Ensino Fundamental. Creia, padre Pereira, o senhor é iluminado e irá iluminar milhares de corações jovens e adultos.
        Uma passagem fantástica registrou o missionário, na manhã de sábado.
- Exatamente em uma cidade mineira por onde passei, ouvi e presenciei a história de um rapaz, o Maldonado, que nunca faltava aos velórios da cidadezinha. Cidade pacata, é claro, quase todo mundo vai ao velório de todo mundo, Pereira encheu o peito para nos contar isto.
        Maldonado ficava cada vez mais conhecido naquelas redondezas, pois se aproximava do caixão do morto e dizia:
- Esta jovem, esta senhora, este moço, este doutor... tinha as qualidades de... Enumerava os principais pontos que formavam o bom caráter do defunto da vez. Os parentes ficavam maravilhados com as qualidades que Maldonado arrancava de sua memória sobre aquele ente já passado. Por isso em todos os velórios havia enorme multidão.
- Na cidade não havia somente gente com qualidades fantásticas, havia também um senhor que era maledicente, malvado, maltratador, mandão, munheca e outros atributos negativos. Como todos morrem um dia, aquele senhor chamado Osório também morreu. Adivinhem, disse Pereira, quem foi que veio para o sepultamento deste mal caráter?
        Pereira deixou todos os presentes próximos de uma incógnita. Pelo motivo de Osório ser maledicente, malvado e... então não haveria ninguém no velório.
- Enganam-se todos. Este foi o velório mais concorrido da cidade, afirmou o missionário.
        A hora do sepultamento chegava e o salão da capela mortuária estava lotado, na expectativa de ouvir o que Maldonado diria a respeito do defunto Osório. O moço se aproximou do caixão, sem medo de sua alma penada. Colocou sua mão direita sobre as mãos do falecido e disse:
- Inté que o senhor defunto fazendeiro tinha um sorriso lindo.
        Acreditem os senhores, Pereira arrancou esta conclusão lá do fundo de sua memória. Acredito que ele já encomendou dezenas de almas e pela pureza d’alma que presenciei nele, pela trajetória de sua vida, trilhando pelo Evangelho do Amor, jamais este missionário pensou em maledicências, mas sim levou a todos à reflexão da misericórdia divina.
 - Pereira foi maravilhoso, simples, mas de uma profundidade sem igual, afirmou Beatriz. Todos concordaram e por isso aquela senhora de BH foi entregar um presente ao missionário. Levou para ele estátuas de profetas, exatamente porque o pregador se tornou para nós um profeta.
 ____________ 
* militante redentorista, presente no SRSA entre os anos de 1969-1974. Na vida conseguiu ser professor, estudante e católito.

Conto de Afonso Cavalcanti - Ninguém dá o que não tem


Ninguém dá o que não tem
Afonso de Sousa Cavalcanti

        O edital do vestibular de verão da Faculdade já estava disponível ao público. Os formandos do ensino médio procuravam ansiosos pelos cursos, pela data de inscrição e mais: queriam informações sobre os cursos, sobre suas grades curriculares. Oportuno foi o momento em que mais de 20 jovens se aproximaram da página que informava acerca do Curso de Letras.
        Ali, bem próximo do quadro do edital, sentado e com os braços apoiados sobre uma mesa, estava o velho professor de latim daquela instituição. O mesmo se levantou e foi até os jovens e os cumprimentou. Dirigindo-lhes a palavra, foi dizendo:
     - Bem vindos a esta casa de ensino! Muitos já atravessaram o caminho por aqui e hoje são bem sucedidos. O curso que vocês observam tem por finalidade formar licenciados e pesquisadores em Letras. O forte deste curso é a nossa língua. Aprender a língua é desenvolver diversas habilidades que vão da simples observação – nas formas de ler, interpretar e transmitir – até à linguagem mais complexa: abrangendo literaturas, teorias literárias, línguas estrangeiras, além dos mecanismos diversos da linguagem, ora vistos pelos lingüistas, ora cobrados pelos gramáticos. Vocês ainda não me conhecem. Apresentando-me a todos, informo-lhes que no momento sou professor da Língua Latina e de Literatura Latina. Tenho a maior paixão pelo que ensino. A Língua Latina e os clássicos latinos são minhas raízes, neles me realizo. Quando tenho dúvidas, recorro a eles e confesso-lhes que tenho respostas imediatamente.
        Entusiasmado pela fala vibrante do professor, Marcos puxou conversa com ele e procurou retirar dele algum conhecimento. Foi dizendo:
     - Meu pai é advogado. Volta e meia, vejo seus processos. Constantemente ele usa termos latinos. Disse-me ele que os advogados novos já não mais aprendem o latim, pois este é uma língua morta.
        O mestre ouviu o futuro aprendiz e dialogou calmamente com ele:
     - Gostei de ver, meu rapaz! Vejo que já se interessou pela matéria. A Língua Latina é a mãe da língua portuguesa, portanto, é sua alma. Sem que compreendamos a raiz das palavras, nosso raciocínio ficará truncado. Procurem ouvir o que vou dizer. Irei ensinar alguns aforismos e os repetirei duas vezes para que os mesmos possam ser gravados em suas memórias. Assim que eu apresentá-los, por duas vezes, farei sua tradução para o português.
        Com muito respeito e simbolismo, o velho professor pára por alguns segundos e se coloca em posição de contemplação. Digamos, aquela posição que os patriotas se põem no momento em que entoam o hino de sua pátria. A concentração é tudo para que o ator – neste caso, o professor de latim – possa pronunciar as sentenças e motivar os futuros acadêmicos de Letras. O Latim, bem falado, soa gostoso nos ouvidos dos meninos. O mestre, fazendo como se fosse um aperitivo, pronunciou:
     - "Dura lex, sed lex", "Dura lex, sed lex". (A lei é dura, mas é a lei).
     -  "Hodie mihi, cras tibi". "Hodie mihi, cras tibi". (Hoje para mim, amanhã para ti).
     -  "Homo homini lupus". "Homo homini lupus". (O homem é lobo do homem).
        Ouvindo a boa pronúncia do professor, os estudantes pediram àquele que os recepcionava para que dissesse mais aforismas. O mestre empolgado resolveu dizer frases mais consistentes e com forte cunho moral. Sua voz foi ouvida por mais pessoas de forma que ele se entusiasmava cada vez mais:
     - "Ocasio facit ferum". "Ocasio facit ferum". (A ocasião faz o ladrão). O sujeito, por errar uma vez, por roubar o tempo ou a mercadoria, e não ser corrigido, continuará errando. Errará tanto que seu bom senso entrará em desuso;
     - "Imperium habere vis magnum? Impera tibi". "Imperium habere vis magnum? Impera tibi". (Queres ter um grande poder? Governa a ti mesmo). O poder está em nós mesmos, em nossos sentidos e racionalidade. Está no cumprimento do dever e no exercício do direito;
     - "Mens in corpore tantum molem regit". - "Mens in corpore tantum molem regit". (É o espírito que rege o corpo). Sem a racionalidade, nossas ações são puramente animalescas. Agimos como lobos e apenas experimentamos desejos, se não dermos conta de que a racionalidade é extremamente necessária. 
        Os três últimos aforismos ensinam sobre o animal político que todos nós somos. A ocasião também faz o que é vigilante, basta procurar o poder em si mesmo e deixar que sua alma intelectiva governe plenamente.
        Interessante! O vestibular chegou, as aulas foram aos poucos sendo ministradas. Os professores demonstravam saber, principalmente os professores de Língua Portuguesa e de Filosofia que faziam questão de diferenciar com precisão as definições e os conceitos; de acertar, nos mínimos detalhes, as palavras e as sentenças mais significativas. Quase sempre buscavam os significados mais profundos nas raízes dos termos, bem juntinho das línguas grega e latina. De forma que os acadêmicos tinham nas veias sanguíneas o provérbio latino: "Nemo dat quod non habet" (Ninguém dá o que não tem). Sinceramente, as frases são construídas com erros gramaticais; as idéias são confusas; a linguagem falta com sua finalidade. Isto ocorre porque aquele que transmite não possui o objeto da comunicação, ou seja, o pensamento bem construído.
        O tempo decorreu. Janeiros vieram, e aqueles acadêmicos, agora professores, pós-graduados, retornam como egressos para a festa de sua instituição de ensino. Não mais encontram o professor de Latim – a instituição aboliu da grade curricular a disciplina de Língua Latina, pois o latim é desnecessário, afirmam os dirigentes daquela faculdade. O latim caiu no esquecimento. Com ele também se foram os clássicos filósofos e a disciplina de Filosofia. O velho mestre somente ficou na saudade, como um mito que apenas é ouvido por quem sabe referenciar a mãe de nossa língua pátria.
        Sem medo de defender o que é forte, o que é cultura, reproduzo o som que ainda está em minha memória: "Alia jacta est".(A sorte foi lançada)"; "Veni, vidi, vici". (Vim, vi, venci). Quem sabe as novas estratégias de difundir a língua e de cultivar o saber, sejam muito eficientes e valha a pena afastar-se das raízes históricas!





Artigo de Afonso Cavalcanti - Comunicação Oral

Artigo completo sobre a missão do educador.


ATRIBUTOS ESSENCIAIS DO EDUCADOR

CAVALCANTI, Afonso de Sousa. afonsoc3@hotmail.com

Resumo

Comunicação oral
Introdução: Ao refletir sobre a vivência do magistério, o professor entende e sente a necessidade de se envolver no ensino e na pesquisa, para que se sinta engajado na profissão e na ética do magistério. O verdadeiro profissional do magistério percebe que ele tem o sagrado dever de buscar o aperfeiçoamento ao ensino e à pesquisa. Objetivos: Levar os profissionais da educação à compreensão de que a arte de ensinar e de pesquisar exige o cultivo das virtudes da eficiência, da tolerância, do saber com profundidade e outras. Material e método: Este estudo discorrerá sobre lições de filosofia que estão em: MERLEAU-PONTY. A estrutura do comportamento, 1975 e KANT. Fundamentação da metafísica dos costumes. 1974. Discussão: O profissional do magistério busca a formação de cidadãos e quer para eles o desenvolvimento profissional. Este exercício ajuda a sanar a marginalidade e a miséria sociais. O contingente de pessoas – a massa – fica à mercê do controle do Estado. Para evitar a marginalidade, faz-se necessário que a sociedade civil exija que o Estado cumpra sua função. As várias profissões nascem das necessidades sociais e estas são bem ou mal sucedidas conforme o sucesso no trabalho, no clube, na igreja, no sindicato e outras repartições. Quanto mais o profissional do magistério compreender a sociedade e sobre ela agir com cautela e amor, mais profissional e mais ético ele será. Conclusão: Ao realizar suas atividades docentes de ensino e de pesquisa, o educador e pesquisador exercita o sujeito moral que ele representa: no caso específico de ser professor. Torna-se sujeito ético na medida em que cria os seus juízos éticos de valor e segue sua consciência crítica. Destes juízos pode-se concluir que o bem gera a felicidade e o mal produz o desconforto espiritual e material. Os sujeitos éticos moldam sua cultura, de forma a facilitar a definição de valores e a consciência moral. Palavras-chave: Moral. Profissionalismo. Comprometimento.
  
ATRIBUTOS ESSENCIAIS DO EDUCADOR

CAVALCANTI, Afonso de Sousa. afonsoc3@hotmail.com

 

Livro de Afonso Cavalcanti - Procura e discernimento

Procura e discernimento

AFONSO DE SOUSA CAVALCANTI



                         Produção filosófico-científica  organizada  por  Afonso  de  Sousa
                         Cavalcanti. Trata-se de um livro com exercícios para o leitor exercitar a mente.
                         Periódico  semestral – voltado  às  Ciências Humanas  e  Ciências
                         Sociais Aplicadas.




SUMÁRIO
Editorial.......................................................................................................................4
Unidade I. Conceito e atributos da ética. Atividades...................................................5
Conceito e atributos da ética........................................................................................5
1.1  Introdução.............................................................................................................5
1.2 A conduta do homem ............................................................................................8      
1.3 A moral nas posições absoluta e relativa.............................................................10
2. Pluralismo moral....................................................................................................11
2.1 A vida com equilíbrio: a moralidade...................................................................12
2.2 O bem por excelência: a felicidade......................................................................14
2.3 A cidadania..........................................................................................................14
2. 4 A solidariedade...................................................................................................15
Conclusão...................................................................................................................17  Unidade II..A pluralidade ética. Atividades..............................................................19
A pluralidade ética.................................................................................................... 20
A ética do bem supremo........................................................................................... 20
A ética segundo Sócrates.......................................................................................... 20
A ética segundo Platão.............................................................................................. 21
A ética em Aristóteles............................................................................................... 22
A ética em Epicuro ...................................................................................................23
A ética no Estoicismo............................................................................................... 24
A ética experimental................................................................................................. 25
A ética segundo os anarquistas..................................................................................25
A ética para os utilitaristas....................................................................................... .26
A ética e os cépticos...................................................................................................27
A ética subjetivista ....................................................................................................29
A ética do foro íntimo da pessoa ..........................................................................................30
A ética e a fundamentação dos valores................................................................................ 32
Unidade III. A ética com responsabilidade e solidariedade. Atividades...............................36
Unidade III. A ética com responsabilidade e solidariedade................................................ .37
A ética e a religião podem ser vistas na ética cristã..............................................................37
A religião e a ciência necessitam do método e da transcendentalidade................................41
Conclusão..............................................................................................................................46
Unidade IV.A ética e a política. Atividades........................................................................ 48
Unidade IV. A ética e a política: na visão absolutista e totalitária...................................... 49
I. Por uma ética na política: confronto entre os pensamentos de Thomas Hobbes e John Locke ....................................................................................................................................50
II. As origens do totalitarismo: totalitarismo, o paroxismo do poder...................................70
Unidade V. A ética na profissão e no trabalho público. Atividades.................................... 75
Unidade V. A ética na profissão e no trabalho público.........................................................75
Conclusão..............................................................................................................................79
Referências............................................................................................................................80


EDITORIAL*
        O sujeito para alcançar o conhecimento necessita ir em busca do objeto. Ao fazer ciência, tudo se torna mais prático. Na busca das causas e na análise apurada destas, por intermédio da lógica,  leva-se a crer que os resultados das pesquisas virão facilitar o modo de viver. No encontro do sujeito com o objeto nasce o poder do discernimento e da sensibilidade sobre o certo e o errado, o falso e o verdadeiro, o justo e o injusto – e daí surgirão resultados cada vez mais extraordinários que demonstrarão a metodologia que pode ser guiada por princípios dialógicos

Crônicas de Afonso Cavalcanti - POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Afonso de Sousa Cavalcanti

Introdução: Faz-se necessário estdar as questões sobre os afro-brasileiros e os indígenas de nosso país. Sobre tais etnias, nossos estudos avançam para a necessidade do ensino religioso e sobre as preocupações que as autoridades brasileiras têm tomado iniciativa. São preocupantes os preconceitos sobre as questões racistas, sobre direitos assistidos e, sobretudo, acerca das práticas e vivências religiosas. O presente estudo aborda o tema: POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS: A HISTÓRIA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA NA EDUCAÇÃO BÁSICA, ampliando contatos diretos com os acadêmicos interessados no exercício do magistério. Objetivos: Desenvolver nos estudiosos de História o senso crítico para a vivência em comunidade e especificamente no tocante às suas reflexões críticas sobre as legislações para a educação básica. Material e método: O estudo encaminha conhecimento aos acadêmicos em 3 momentos diferenciados:
1.LEGISLAÇÃO: a) Lei 10639, de 9/1/2003, que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade do estudo sobre "História da Cultura Afro-Brasileira"; b) Lei 11.645, de 10/3/2008, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, obrigando a incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade do ensino da temática: "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena"; c) Lei 9.475, de 22/7/1997, dando nova redação ao artigo 33 da Lei n. 9.394, de 20/12/1996, estabelecendo que o Ensino Religioso é parte integrante da formação básica do cidadão brasileiro; d) Lei 11.635, de 27/12/2007, que estabelece o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa; e) Lei 9.394, de 20/12/1996, no tocante às compreensões e regularidade educacional sobre as leis anteriormente citadas. 
2. COMUNICAÇÃO, vistas nas formas escrita e comentários críticos, resultados de conferências especiais, dissertações, teses e livros de teóricos, tais conteúdos devem contribuir significativamente para a história da educação básica no Brasil, mais precisamente no tocante à formação profissional dos interessados em seguir a carreira do magistério educacional brasileiro (municipal, estadual e federal) e ainda o grau de satisfação destes em trabalhar e produzir conhecimentos sobre estas temáticas.
3. PRODUÇÃO de conhecimentos, ORGANIZAÇÃO de seminários e GRUPOS DE ESTUDO, abrangendo uma gama cada vez maior de universitários preocupados com o ensino, a pesquisa e a extensão acerca das temáticas contempladas em leis. É intenção dos pesquisadores deste projeto vivenciar e exercitar o espírito de cidadania com os estudiosos das Ciências Humanas e Sociais para que reflitam sobre as várias intolerâncias sofridas pela população brasileira, até então.
Palavras-chave: Legislações educacionais. Abertura democrática. Conferência de direitos. Lideranças políticas.


Crônicas de Afonso Cavalcanti - Ninguém dá o que não tem

Ninguém dá o que não tem
Afonso de Sousa Cavalcanti

        O edital do vestibular de verão da Faculdade já estava disponível ao público. Os formandos do ensino médio procuravam ansiosos pelos cursos, pela data de inscrição e mais: queriam informações sobre os cursos, sobre suas grades curriculares. Oportuno foi o momento em que mais de 20 jovens se aproximaram da página que informava acerca do Curso de Letras.
        Ali, bem próximo do quadro do edital, sentado e com os braços apoiados sobre uma mesa, estava o velho professor de latim daquela instituição. O mesmo se levantou e foi até os jovens e os cumprimentou. Dirigindo-lhes a palavra, foi dizendo:
     - Bem vindos a esta casa de ensino! Muitos já atravessaram o caminho por aqui e hoje são bem sucedidos. O curso que vocês observam tem por finalidade formar licenciados e pesquisadores em Letras. O forte deste curso é a nossa língua. Aprender a língua é desenvolver diversas habilidades que vão da simples observação – nas formas de ler, interpretar e transmitir – até à linguagem mais complexa: abrangendo literaturas, teorias literárias, línguas estrangeiras, além dos mecanismos diversos da linguagem, ora vistos pelos lingüistas, ora cobrados pelos gramáticos. Vocês ainda não me conhecem. Apresentando-me a todos, informo-lhes que no momento sou professor da Língua Latina e de Literatura Latina. Tenho a maior paixão pelo que ensino. A Língua Latina e os clássicos latinos são minhas raízes, neles me realizo. Quando tenho dúvidas, recorro a eles e confesso-lhes que tenho respostas imediatamente.
        Entusiasmado pela fala vibrante do professor, Marcos puxou conversa com ele e procurou retirar dele algum conhecimento. Foi dizendo:
     - Meu pai é advogado. Volta e meia, vejo seus processos. Constantemente ele usa termos latinos. Disse-me ele que os advogados novos já não mais aprendem o latim, pois este é uma língua morta.
        O mestre ouviu o futuro aprendiz e dialogou calmamente com ele:
     - Gostei de ver, meu rapaz! Vejo que já se interessou pela matéria. A Língua Latina é a mãe da língua portuguesa, portanto, é sua alma. Sem que compreendamos a raiz das palavras, nosso raciocínio ficará truncado. Procurem ouvir o que vou dizer. Irei ensinar alguns aforismos e os repetirei duas vezes para que os mesmos possam ser gravados em suas memórias. Assim que eu apresentá-los, por duas vezes, farei sua tradução para o português.
        Com muito respeito e simbolismo, o velho professor pára por alguns segundos e se coloca em posição de contemplação. Digamos, aquela posição que os patriotas se põem no momento em que entoam o hino de sua pátria. A concentração é tudo para que o ator – neste caso, o professor de latim – possa pronunciar as sentenças e motivar os futuros acadêmicos de Letras. O Latim, bem falado, soa gostoso nos ouvidos dos meninos. O mestre, fazendo como se fosse um aperitivo, pronunciou:
     - "Dura lex, sed lex", "Dura lex, sed lex". (A lei é dura, mas é a lei).
     -  "Hodie mihi, cras tibi". "Hodie mihi, cras tibi". (Hoje para mim, amanhã para ti).
     -  "Homo homini lupus". "Homo homini lupus". (O homem é lobo do homem).
        Ouvindo a boa pronúncia do professor, os estudantes pediram àquele que os recepcionava para que dissesse mais aforismas. O mestre empolgado resolveu dizer frases mais consistentes e com forte cunho moral. Sua voz foi ouvida por mais pessoas de forma que ele se entusiasmava cada vez mais:
     - "Ocasio facit ferum". "Ocasio facit ferum". (A ocasião faz o ladrão). O sujeito, por errar uma vez, por roubar o tempo ou a mercadoria, e não ser corrigido, continuará errando. Errará tanto que seu bom senso entrará em desuso;
     - "Imperium habere vis magnum? Impera tibi". "Imperium habere vis magnum? Impera tibi". (Queres ter um grande poder? Governa a ti mesmo). O poder está em nós mesmos, em nossos sentidos e racionalidade. Está no cumprimento do dever e no exercício do direito;
     - "Mens in corpore tantum molem regit". - "Mens in corpore tantum molem regit". (É o espírito que rege o corpo). Sem a racionalidade, nossas ações são puramente animalescas. Agimos como lobos e apenas experimentamos desejos, se não dermos conta de que a racionalidade é extremamente necessária. 
        Os três últimos aforismos ensinam sobre o animal político que todos nós somos. A ocasião também faz o que é vigilante, basta procurar o poder em si mesmo e deixar que sua alma intelectiva governe plenamente.
        Interessante! O vestibular chegou, as aulas foram aos poucos sendo ministradas. Os professores demonstravam saber, principalmente os professores de Língua Portuguesa e de Filosofia que faziam questão de diferenciar com precisão as definições e os conceitos; de acertar, nos mínimos detalhes, as palavras e as sentenças mais significativas. Quase sempre buscavam os significados mais profundos nas raízes dos termos, bem juntinho das línguas grega e latina. De forma que os acadêmicos tinham nas veias sanguíneas o provérbio latino: "Nemo dat quod non habet" (Ninguém dá o que não tem). Sinceramente, as frases são construídas com erros gramaticais; as idéias são confusas; a linguagem falta com sua finalidade. Isto ocorre porque aquele que transmite não possui o objeto da comunicação, ou seja, o pensamento bem construído.
        O tempo decorreu. Janeiros vieram, e aqueles acadêmicos, agora professores, pós-graduados, retornam como egressos para a festa de sua instituição de ensino. Não mais encontram o professor de Latim – a instituição aboliu da grade curricular a disciplina de Língua Latina, pois o latim é desnecessário, afirmam os dirigentes daquela faculdade. O latim caiu no esquecimento. Com ele também se foram os clássicos filósofos e a disciplina de Filosofia. O velho mestre somente ficou na saudade, como um mito que apenas é ouvido por quem sabe referenciar a mãe de nossa língua pátria.
        Sem medo de defender o que é forte, o que é cultura, reproduzo o som que ainda está em minha memória: "Alia jacta est".(A sorte foi lançada)"; "Veni, vidi, vici". (Vim, vi, venci). Quem sabe as novas estratégias de difundir a língua e de cultivar o saber, sejam muito eficientes e valha a pena afastar-se das raízes históricas!

O ESCRITOR É TAMBÉM EXCRETOR

O ESCRITOR É TAMBÉM EXCRETOR
*CAVALCANTI, Afonso de Sousa" 

Resumo

Alguns pensadores afirmam que "Escrever é um dom"; "Escrever é vocação"; "Para escrever é preciso inspiração". Muitas pessoas procuram profissionais de renome para testar a qualidade de seus escritos. Possivelmente elas mesmas já podem ter a resposta, basta que elas se certifiquem do quanto lêem e do tempo que gastam pensando para definir e conceituar sobre o que escrevem. O presente estudo quer desenvolver hábitos para exorcizar os fantasmas do medo de não saber expressar seus pensamentos. Para tanto, o estudo analisa: a) ORLANDI, Eni Puccinelli. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. S. Paulo: Brasiliense, 1983; b) TÁVOLA, Artur da. Jornal O GLOBO, de 28/02/1999; c) PERES, Marcolino Suely. Comunicação e expressão e literatura IV. INSEP, 2006.  Para eles, o professor precisa cultivar a compaixão pelos futuros escritores. Ensinam que "A inclusão do excluído, ou a inclusão do outro", precisa ser encarada com seriedade. Argumentar-se-á que: escrever com qualidade consiste em utilizar-se de definições e conceitos e produzir o texto. Depois, deixar o texto descansar. A pressa para revisar o texto deve ser deixada de lado. A correção do texto precisa ser implacável, sem dó, sem medo e ressentimento. Deve-se arrancar da antiga escrita o que não agrada por não especificar, discernir e facilitar a compreensão daquilo que está sendo dito. O tempo para corrigir não importa. Pode levar dias, meses, anos. Busca-se libertar para a ordem, a sensibilidade e o entendimento. O estudo conclui que: qualquer pessoa, não importa a profissão assumida ou a simples função que ocupa temporariamente, esta tem necessidade em dominar bem algumas boas formas de comunicação. Ao relacionar-se com os outros, passando-lhes suas mensagens escritas ou orais, é que o escritor percebe que ler e ler atentamente, é muito importante para falar e escrever. É no momento de colher resultados que o leitor e o excretor são o escritor. A presença de espírito, por ter a coragem de afastar os fantasmas - a preguiça de ler, a busca constante do aperfeiçoamento - fará surgir a humildade intelectual e abrirá a mente do escritor que soube excretar os negativos para a boa expressão, não importa por quais gêneros textuais e orais use. Palavras-chave: Escritor e excretor. Dom e conquista. Comunicação e resultado.

*MS em Filosofia e Dr em Educação, Administração e Comunicação, Professor de Filosofia, Sociologia e Política Educacional Brasileira na FAFIMAN.

  

1. Introdução
        Aprende-se que um profissional não nasce feito, apesar de que alguns pensadores defendam que o ser humano é portador de potencialidades inatas, na forma como ensinou Aristóteles. Este filósofo ensinava que algumas pessoas nascem com potencialidades diferenciadas, tais como: os dons para a música, a dança, a pintura, a escultura, o atletismo, o esporte etc. Alguns pensadores afirmam que: "Escrever é um dom"; "Escrever é vocação"; "Para escrever é preciso inspiração". Muitas pessoas procuram profissionais de renome para testar a qualidade de seus escritos. Possivelmente elas mesmas já podem ter a resposta: basta que elas se certifiquem do quanto leem e do tempo que gastam pensando para definir e conceituar sobre o que escrevem. Desta forma, o presente estudo quer dialogar a respeito de diversas questões sobre as atividades de quem escreve.
        Diversos são os questionamentos que surgem nas salas de aula e nos ambientes onde se dialoga a respeito do "fazer escritor". Em tais estudos podem ser questionados: o texto como produto e o texto como processo; o conhecimento dos professores que orientam os aprendizes para que desenvolvam a capacidade de pensar, de coordenar suas ideias e de elaborar um texto; o tempo necessário para a produção de um texto: da observação sobre a matéria, da abstração e da materialização das ideias que serão postas no papel; do tempo necessário para que o texto descanse e possa ser reescrito; a parceria entre aquele que extrai das fontes as ideias com aquele(s) que intermedeiam a escritura e reescritura dos textos.

O CHAZINHO DA FREIRA

        Conversa vai, conversa vem, e a novela das oito, da Rede Globo de televisão, terminou. Edertrudes observou Reginaldo, já no cochilo, e lhe disse lembre mais: é um chazinho porrete para tosse, resfriado, rouquidão e mal olhado.
        Reginaldo arregalou os olhos por que discordava da conversa de Edertrudes que foi logo dizendo: :
     - Antes de você ir dormir, irei preparar o chazinho milagroso que nos ensinaram no encontro de casais. Acredito que você nem se recorda mais dele. É um chá milagroso, um santo remédio.
        Reginaldo responde em tons de descrença e contraria os interesses de Edertrudes:
    - Mal olhado, que nada! Acredito mesmo é no poder de uma boa injeção, seja lá do que for. Chá é coisa do passado, de gente que não conhece a ciência.
        Possivelmente o velho estaria equivocado. Discordar de algo que ainda não conhecemos é de fato uma atitude impensada e indelicada. Não é só do conhecimento científico que a humanidade viveu até hoje. Sabe-se que a pessoa humana está no Planeta Terra num tempo superior a quarenta milhões de anos. O homo sapiens vem fazendo sua história a mais de um milhão de anos. Na qualidade de cientista mesmo, de sábio experimentador, o ser humano completou quinhentos anos e não faz muito tempo, pois sua história foi marcada com o Renascimento, com a Revolução Científica, século XV. Os milhares de anos para trás são testemunhas de que muitos chás foram feitos e estes tinham uma finalidade.
        Chega de desviar a conversa! Vamos buscar a Vovó para que ela nos ensine as técnicas e o segredo do chazinho da freira. Vovó caminha para a cozinha e pede para Carlinhos, por sinal o neto mais obediente, para que vá ao quintal e traga de lá um pouco de rama de erva doce e de eucalipto. O rapaz mais que depressa ajeitou os pedidos de sua avó e voltou para o computador, onde consultava alguns sites sobre gastronomia e engenharia da comunicação – campo, aliás, que ele gosta muito.
        De posse das folhas de eucalipto, da rama de erva doce, do pote de mel, de outros ingredientes e ferramentas, Edertrudes começou a ensinar a receita:
     - Primeiro toma-se uma chaleira de alumínio e coloca nela a quantia de água desejada – aproximadamente de 100 a 150 ml por pessoa. Leva-se ao fogo para ferver. Enquanto a água ferve, aquele que irá fazer o chá, toma uma faca de cozinha, ajeita seu fio (corte ou amolação) e começam os preparativos. Os ramos de erva doce e as folhas de eucalipto devem ser postos sobre uma tábua de cortar carne. Os ingredientes devem ser cortados em cruz. Enquanto corta, aquele que faz o chá precisa pensar profundamente na animação dos vegetais que estão sendo sacrificados. Os vegetais possuem uma alma que faz parte de sua origem. Neles está contido o poder da cura e não precisa ser cientista para saber disto. Os vegetais têm esta propriedade, por sua própria natureza. O que nós precisamos fazer é escolher bem qual vegetal iremos usar e para que serve a nossa escolha.
        Edertrudes é interrompida pela cozinheira da família, Terezinha. Esta, quando percebeu que a velha foi para o fogão, depressa saiu de seu quarto e veio ver o que estava acontecendo na cozinha. Foi logo falando à antiga patroa:
     - Dona Edertrudes, por favor! Vou-lhe fazer o chá pretendido, mas a velha interrompeu a empregada e não deixando que ela a interrompesse, foi falando:
     - Estou realizando uma tarefa singular. Quero ensinar que a fé nos elementos da natureza tem grande valor. As plantas medicinais têm nelas o poder da cura. Vou cortar a erva doce e o eucalipto em cruz porque penso em nome daquele que morreu na cruz e mais, ele é unidade com seu Pai que é o criador do mundo. Tudo veio dele e para ele irá retornar. O corte em cruz é mais forte ainda porque, sendo as ramas dos vegetais bem finas, cortando-as em cruz, estas ficarão mais sensíveis à força da água fervendo, no momento de se fazer o chá.
        Neste momento a gente olha a velha que fala com sabedoria, mas que também não perde a pose de saber pilotar bem o fogão. O chá é mais gostoso, mais proveitoso, quando é feito com cuidado. A velha sabe o que está fazendo e então vamos dar crédito a ela. Novamente ouvimos Edertrudes:
     - A água está pulando na chaleira. É hora de aprontar o chá. Os ingredientes estão cortados e devem ser postos dentro de uma caneca de alumínio. Primeiro, coloca-se  a erva doce, depois o eucalipto. A água será despejada bem de perto para que não perca a fervura e possa cozinhar bem as ervas cortadas. Em seguida, tapa-se a caneca com o fundo da chaleira, de tal forma a não permitir a saída do vapor que contém a essência das duas plantas – digamos as almas vegetativas que serão objetos da cura pretendida. Uma vez realizada a tarefa, antes de destampar a caneca, toma-se um limão e o corta em duas partes. Em seguida é só espremê-lo no chá quente e acrescentar um pouco de mel ou de açúcar, de forma a adoçá-lo adequadamente. O chá está pronto para servir.
        Os presentes na casa ficaram interessados no chá da vovó e vieram á cozinha experimentá-lo. Mais do que depressa queriam prová-lo. A velha trancou a passagem que levava para a pia da cozinha e foi ensinando:
     - Todos vamos tomar o chazinho da freira, mas juntamente com ele precisamos completar o restante da receita. Recomenda a receita que o chá terá maior efeito se for acompanhado de uma boa ascese: a reza do terço.
        Sobre este ensinamento, o pessoal da casa ainda não tinha ouvido de ninguém.
     - Tomar chá rezando o terço, disse Reginaldo, ora essa agora! Vou rezar porque não posso ir dormir sem tomar este bendito chá que está exalando um cheiro bom aqui na sala.
     - A cada Ave-Maria e a cada Pai Nosso, toma-se um golo do chá. O resultado será visto amanhã e nos dias seguintes, disse Edertrudes.
        Chazinho da freira. É a primeira vez que ouço dizê-lo. Tenho dificuldade em fazê-lo por não possuir as essências indicadas pela Vovó Edertrudes. De chá das freiras, apenas ouvi o professor de História Geral contando  sobre o costume antigo. Para ele, os pais mandavam para o colégio algumas de suas filhas, aquelas que passavam da idade para se casar.  Não tendo vocação, muitas dessas moças encontravam às escondidas com elementos de mau caráter e se engravidavam. As grávidas escondiam facilmente a barriga, dentro do hábito. Na certa não era só uma freira que se engravidava. O hábito era constante, de forma que a grávida recebia solidariedade das outras que já haviam experimentado a gravidez. O ditado diz que "com uma mão se lava a outra e com as duas se lava a cara". Assim sendo, o dia de dar à luz chegava. A criança vinha ao mundo. O recém-nascido era posto na porta do convento. Uma irmã que já sabia do caso anunciava que uma criança nos foi dada na porta do Convento. Dizia às demais:
     - É um presente de Deus. Deus não falha na sua bondade! Ele irá operar um milagre em um de nós. Vamos fazer um chá, o chá do Sagrado. Ao tomá-lo, renderemos graças a Deus pelo presente que nos foi dado e com fé. As almas dos vegetais contidas no chá irão fazer brotar o leite de peito em uma de nossas irmãzinhas. A que for abençoada por Deus tomará a criança e a amamentará para a graça de Deus.
        O milagre já tinha acontecido: o filho já havia sido dado e não tardaria o leite jorraria e molharia o hábito da freira mamãezinha. Do mesmo modo que o leite jorrava no seio daquela freira sem vocação religiosa, a essência das ervas cortadas em cruz por Edertrudes também nos ajudam a entender que a fé em Deus também cura.    
       
Afonso de Sousa CAVALCANTI

Cadeira Número 10

Patrono DOM HÉLDER CÂMARA
Nascido em 07 de fevereiro de 1909, em Fortaleza-CE, Dom Hélder é o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos. Filho de João Câmara Filho e Adelaide Pessoa Câmara. Aos 4 anos de idade já mostrava especial atenção aos sacerdotes e seu desejo era ser "um padre lazarista". Em 1917 recebe sua primeira eucaristia.
Em 1923 in­gressa no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), onde faz os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia, tendo sua preparação sacerdotal se dado de forma tranquila e serena. Foi ordenado sacerdote aos 22 anos de idade, no dia 15 de agosto de 1931, recebendo uma autorização especial da Santa Sé, pois não possuía a idade mínima exigida. Em 1931, juntamente com dois amigos funda a Legião Cearense do Trabalho, para em 1933, junta­mente com lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas, instituir a Sindicalização Operária Feminina Católica.
Em janeiro de 1936, parte para o Rio de Janeiro, onde, abandonando seu ideário integralista, dedica-se sem denodo aos estudos. Entre 1947 e 1952, dirige e colabora com as revistas Ação Católica e Assistente Eclesiástico. Foi eleito bispo em 20 de abril de 1952. Foi co-fundador do CELAM - Conselho Episcopal Latino-America­no. Em 1955 destaca-se como organizador e Secretário-Geral do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional. Em 1956, funda A Cruzada São Se­bastião. Em 1959, funda no Rio de Janeiro o Banco da Providência. De 1952 a 1964 exerce o Cargo de Secretário Geral da CNBB, fomentando os ideais de sua fundação e promovendo a integração dos bispos do Brasil. Em 12 de Abril de 1964 é nomeado Arcebispo de Olinda e Recife. Em 10 de abril de 1985 é Arcebispo Emérito.
No plano internacional: de 1958 a 1966 é delegado do Brasil e 2o vice-presidente do CELAM; Em 1968 é delegado do Brasil na 2a Assembléia Geral do Episcopado Latino-Americano em Medelin, na Colômbia; Em 1979 é delegado na 3a Assembléia Geral do Episcopado Latino-Americano em Puebla, no México; Entre outros, além de se destacar pela atuação junto a Santa Sé, sendo Membro do Concilio Vaticano II, Fundação do Banco da Província; Fundação do Movimento Encontro de Irmãos; Criação da Co­missão de Justiça e Paz; Criação do INTER - Instituto Tecnológico de Recife.
Considerado um dos maiores ecumenistas mundiais, recebeu 32 títulos de "Doctor Honoris Causa" e 30 títulos de "Cidadão Honorário" no Brasil e no Mundo. Foi membro de honra de comitês de Justiça de 44 organizações nacionais e internacionais.



Acadêmico ATUAL - Afonso de Sousa Cavalcanti


*MS em Filosofia e Dr em Educação, Administração e Comunicação, Professor de Filosofia, Sociologia e Política Educacional Brasileira na FAFIMAN.