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Poesia de João Viera Jr - A Gente se Completa nas Carências

Eu amo meu país
Apesar de o meu pais ser o brasil
E por causa do meu pais ser o Brasil
Apesar dos Zés Dirceus
Dos Delúbios
E dos Genuínos
Que nada tem de genuíno
Assim como eu amo meus amigos
E minha família
Apesar de eles não serem perfeitos
Apesar de faltar algo neles ...
E, não menos importante, apesar de faltar coisas em mim
De sermos incompletos
De sermos mancos, meios cegos, meio burros, meio bestas
Meio mais ou menos
Não os troco por nada inteiro
E não admito que me tirem um pedaço sequer deles ...
Porque me dou inteiro ...
Mesmo longe ...
Mesmo faltando
Sendo humano
Mesmo errando ...
Amo meu pais como amo minha família
E meus amigos
E os aceito.
Apesar de reclamar deles o tempo todo
E ser motivo de reclamações
De censuras e admoestações
E mesmo faltando algo em nós, nos completamos
Porque se nós nos abandonássemos
Não seriamos o que dizemos que somos
A gente se completa e se atura
Na carência e na fartura
Mesmo que seja manco
Mesmo que seja assim
Apesar dos Zés e dos Manés
Apesar dos pesares
E por causa deles
Devemos nos melhorar
A cada dia
A cada volta do relógio
Porque senão,
O que viemos fazer aqui?
¬

Poesia de João Vieira Jr - O Destino é a Viagem 05/2013

Um jóquei manco para um cavalo manco
Às vezes a lógica subverte a realidade
Ou ao contrário
Mas o que seria lógica?
Ou realidade?
Muitas das coisas que vemos ou usamos
Não existiriam pela lógica
Pelo acomodamento
Pelo receio
Pelo medo
Pelo comodismo
Pela não ação
Pela preguiça mental
Seminal
Terminal
Sem contar
O animal.
Dois mancos
Fazendo uma maratona.
Onde a chegada importa menos que a corrida
E a largada foi dada muito antes de ficarem mancos!
¬

Poesia de João Vieira Jr - De teus sonhos 10/2010

Ah meus ares
Daqueles que uso a te intrigar
Que incomoda até de gostar
E há de se entender,
Sentar e conversar
E tomar café ou...sei lá o que...
E me fazer perceber
Se um dia
Não interessa o dia
Interessa que é o dia
Que a gente se interessava
Ou não entendi certo
Ou não estava por perto
Ou você não percebeu que eu tentava
E eu tentei.
E percebi
Que no trocar das horas
E das penhoras
Há muito a ganhar
Mas há um risco a riscar
E no balanço das horas
Tudo pode mudar
Menos o desejo
De teus sonhos
Serem eu a realizar.

João Vieira Jr

Poesia de João Vieira Jr - Dança

Dança

Queria dançar na chuva
Ver molhado teu corpo
Sentir o vento nos cabelos
Um olhar em busca de algo mais
Queria tomar champagnhe todo dia
Comer cerejas em fruta
Viver para viver a vida
Sentir no coração somente
Queria construir um lar
Montar um canto de aconchego
Um refúgio de Paz
Andar descalço
Cheiro de terra molhada
Perceber grama crescer
Queria dar um tempo
Flutuar acima das nuvens
Chegar no infinito
Olhar nos olhos
Contar as estrelas
Encontrar a esquina do mundo
O início de tudo
Onde pousa meu coração
Viver no paraíso
Trazer o paraíso para dentro de mim
Botar para fora este sentimento, dividir
E feliz viver cada momento
Mas areia nasce pedra
E cada dia vai se desmaterializando
Até se tornar areia
Também pode virar Vidro
E vidro também não é final
Pois muda de forma e cor
Enfeita e protege
E se recicla
E assim descubro me camaleão
Mimetizando me a cada dia
Também um Condor
Lançando vôos cada vez mais altos
E assim construindo a cada hora
Vou me tornando aquele projeto de mim
Sempre inacabado, sempre por vim
Sempre melhorado, sem nunca ter fim

João Vieira Jr.
¬

Poesia de João Vieira Jr - A Medida do Homem de Bem 03/2009

A grandeza de um homem não se mede somente por suas vitórias
Se mede, principalmente, por suas batalhas, suas derrotas
E, especialmente, como foi derrotado
Se por seus defeitos
Ou por suas virtudes
Se por seu passado
Ou por seu presente
Se por seus interesses
Ou pelo dos outros
Se pelo que faria
Ou pelo não faria
Ou deixaria fazer
Há de se medir, esta grandeza, pela incondicional entrega
Pelo altruísta tempo ao bem comum
Diferente do comum bem a se desejar
Pelo prazer de se ter o que governar
Sem democraticamente dividir
O lhe foi confiado angariar
Então se mede este homem
Pela alegria que se tem na vitória
Não por ter vencido
Mas, por saber que poderá executar o que de bom pode se fazer
Então se mede este homem
Pela tristeza que o abate na derrota
Não por ter perdido
Mas que, verdadeiramente, sabe
Que o seu bom não será executado
Mesmo sendo melhor que o vitoriado
E ao homem medido
Pesado e valorizado
Dá-se como medida
A falta que fará na sua ausência
E a lembrança do que poderia ter sido na sua presença !
.

Poesia de João Vieira Jr - Poeminhas

Caminhos


Você disse que eu não sou Vinicius
e eu não sou Guimarães Rosa também
nem Mario de Andrade e muito menos Drummond 
sou Vieira
Júnior por sinal
de comum com eles somente o uso das letras
não com as mesmas precisões
mas talvez com as mesmas necessidades
ou pretensões
(claro que da minha parte)
mais da minha vontade, que da arte
e escrevo por gosto
e partilho
e assim amplio minhas virtudes
e diluo minhas dores 
claro que aquelas, recebo 
e estas sou eu quem dá
e assim tento navegar 
esta nave louca que é a vida !
                                                                                João Vieira Jr ™


Sapateiro 


Aprender a Andar
não precisa de ter sapatos
estes não ensinam a função
mas o andar se dá melhor se os tiver
Então aprender a andar é sua obrigação inerente
e aprender a fazer sapatos sua opção inteligente
Eu sou um aprendiz
de andar
e de fazer sapatos.
                                                                                João Vieira Jr ™


Efêmeros ... 


Brincadeira de criança
flertes inocentes
você olha, eu olho
eu sorrio
você finge
eu também
nós fingimos que não fingimos
e brincamos de gato e gato
nos fazendo uma hora de rato
noutras de pato
e de fato
deste coelho num sai mato
opa !
num era para ser assim 
mas enquanto isto, divirta-se
que a vida passa
e tudo passa
e quando você menos perceber
você já passou para mim também !
                                                                                João Vieira Jr ™

Poesia de João Vieira Jr

Poesias que foram narradas no Minuto da Academia.

Todos os Dias 01/2004

Tem dias para tudo
de sol, de festa, de visita
tem dias de ir e de vir
de mudar ou de aceitar
tem dias de alegrias e também de tristezas
tem dias de confraternizar e de interiorizar
tem dias de buscas e de achados
tem até dia de se perder
de redescobrir os valores
alguns até ocultos pelos calos da convivência
mas não se esqueça do seu dia
não do seu dia-a-dia
mas o seu dia
o dia que você é tudo que gostaria
onde todos os sonhos são possíveis
onde tudo se realiza e reinicia
neste seu dia eu gostaria de ter estado presente
dentro do meu coração e quiçá do seu também
haverá outros dias
mas este dia não volta
então aproveite os dias e também as noites
pois chegara aquele dia
que findara os dias e ai
da vida a gente leva
a Vida que a gente leva

                        João Vieira Jr


Se eu morresse amanhã - 03/01/2007

If i die tomorrow
O que seria de minhas paixões ?
O que seria de meus desejos ?
O que seria de meus sonhos ?
Pois paixão vem e vai
É como fogo e estação .
Eu me apaixono todo dia .
Quando acordo
Me apaixono pelo dia .
E, depois pelas coisas que vão acontecendo
Paixão é fogo e como fogo tem seu ciclo
Arte é, quem renova, sempre, o fogo da paixão
Mas, se eu morresse amanhã, não teria como atiçar o fogo
E a paixão não existiria mais ...
Nem a minha nem a sua
Pois meus afetos somente lembranças guardaria
E por um tempo somente.
Pois coisa para acabar com qualquer coisa é este tal de tempo.
E meus beijos e abraços iriam sumindo
Substituídos por outros mais presentes.
Meus olhos perderiam a graça de olhar os seus
E nossos toques e carinhos não teriam mais espelho.
E nossa história seria somente história.
Então, eu tentarei não morrer amanhã
E você poderia tentar me encontrar hoje.

                                                              João Vieira Jr

Saudação ao Mario de Andrade

Feita na ocasião da Investidura do Acadêmico João Vieira Jr

Estar aqui é mais que honraria. É responsabilidade ...
É fruto de meus amores de meus dissabores de minhas alegrias.
É fruto de meus sentimentos ....
Fragmentados em pequenas histórias rítmicas
Agregados de palavras ...
Motivadas
Que se unem para expor uma emoção
Estou aqui, vivo ...
e vivo estou e sou e serei por causa de algumas mulheres que me emocionaram
me apaixonei por algumas
Algumas eu ainda amo.
Outras ainda desejo

Mas, duas, em especial eu citarei,

Cadeira Número 26

Patrono MARIO Raul DE Morais ANDRADE

Nasceu em São Paulo em 09 de outubro de 1893.

“Na rua aurora eu nasci
Na aurora da minha vida
E numa aurora cresci”

          Em 1917, Forma-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e em seguida lança seu primeiro livro de poemas Há uma gota de sangue em cada poema, inspirado na primeira guerra mundial em que criticava, ali, o derramamento de sangue.

          Em 22, com amigos, principalmente, Oswald de Andrade, participa da Semana de Arte Moderna em São Paulo. Base do mordenismo brasileiro.
Em 1925, com o livro de ensaios "A Escrava Que Não é Isaura" afirma-se no cenário literário como um dos grandes teóricos do modernismo. Três anos depois, em Macunaíma, misto de romance, epopéia, mitologia, folclore e história, traça um perfil do brasileiro, com seus defeitos e virtudes, criando a saga do "herói sem caráter".


          Por volta de 1934, Mário torna-se chefe do Departamento de Cultura de São Paulo. Quatro anos depois, por motivos políticos, afasta-se do cargo e muda-se para o Rio de Janeiro, onde exerce o cargo de professor da Universidade do Distrito Federal. Lá fica pouco tempo, a forte ligação com São Paulo o fez regressar.


          A Segunda Guerra Mundial parece ter afetado profundamente o poeta, que falece na tarde de 25 de fevereiro de 1945.


          Além de poesia, Mário de Andrade escreveu contos e romances. Os contos mais significativos acham-se em "Belazarte" e em "Contos novos". No primeiro, a escolha do assunto predominante (o proletariado em seu problemático dia-a-dia) mostra a preocupação do autor na denúncia das desigualdades sociais. No segundo, constituído de textos esparsos reunidos em uma publicação póstuma, estão os contos mais importantes como "Peru de Natal" e "Frederico Paciência".


          Em seu primeiro romance, "Amar, verbo intransitivo", Mário desmascara a estrutura familiar paulistana. A história (que virou o Filme Uma Lição de Amor em 1976 dirigido por Eduardo Escorel) gira em torno de um rico industrial Souza Costa (Rogério Fróes) que contratou uma governanta Fräulein Helga (Lilian Lemmertz) para ensinar alemão aos filhos. Na verdade, essa tarefa era apenas uma fachada para a verdadeira missão de Fräulein: a iniciação sexual de Carlos (Marcos Taquechel), filho mais velho do industrial. Irene Ravache faz o papel de Laura a mãe de Carlos.


          Na obra "Macunaíma", classificada na primeira edição como uma "rapsódia" (1) temos, talvez, a criação máxima de Mário de Andrade. A partir da figura de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, temos o choque do índio amazônico com a tradição e a cultura européia.

          O romance pode ser assim resumido: Macunaíma nasce sem pai, na tribo dos índios Tapanhumas. Após a morte da mãe, ele e os irmãos (Maamape e Jinguê), partem em busca de aventuras. Macunaíma encontra Ci, Mãe do Mato, rainha das Icamiabas, tribo de amazonas, faz dela sua mulher e torna-se Imperador do Mato-Virgem. Ci dá à luz um filho, mas ele morre e ela também, (Ci se transforma na estrela beta do Centauro). Logo em seguida, Macunaíma perde o amuleto (muiraquitã) que ela lhe dera.

          Sabendo que o amuleto está nas mãos de um mascate peruano que morava em São Paulo e que na verdade é Piaimã, o gigante antropófago, Macunaíma, acompanhado dos irmãos (Jiguê e Maanape), rumam ao seu encontro. Após inúmeras aventuras em sua caminhada, o herói recupera o amuleto, matando Piaimã. Em seguida, Macunaíma volta para o Amazonas e, após uma série de aventuras finais, sobe aos céus, transformando-se na constelação da Ursa Maior.

Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Grande Otelo (Macunaíma), Paulo José (Macunaíma), Dina Sfat (Ci), Milton Gonçalves (Jiguê), Jardel Filho (Pietro Pietra)

::. Principais Obras
Poesia:
  • Há uma Gota de Sangue em Cada Poema (1917);
  • Paulicéia Desvairada (1922);
  • Losango Cáqui (1926);
  • Clã do Jaboti (1927);
  • Remate de Males (1930);
  • Poesias (1941).
Prosa:
  • Primeiro Andar (1926);
  • Amar, Verbo Intransitivo: idílio (1927);
  • Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (1928);
  • Belazarte (1934);
  • Os Filhos da Candinha (1943);
  • Contos Novos (1947).
Ensaios:
  • A Escrava que não é Isaura (1925);
  • Ensaio sobre a Música Brasileira (1928);
  • O Aleijadinho e Álvares de Azevedo (1935);
  • Namoros com a Medicina (1939);
  • O Baile das Quatro Artes (1943);
  • Aspectos da Literatura Brasileira (1943);
  • Padre Jesuíno de Monte Carmelo (1945);
  • O Empalhador de Passarinhos (1946).

Primeiro Acadêmico João Batista Vieira Jr
Nascido em 20 de agosto de 1960, em Itamogi, pequena localidade ao sul de Minas Gerais, chegou ao Paraná no ano de 1964, com irmãos, Pai e Mãe.
Até 1966 morou em Moreira Sales, onde seu pai era administrador de uma fazenda. Por conta da geada mudaram-se para Maringá e depois Londrina e em 1968 estabeleceram-se em Apucarana, onde seu pai, conhecido até os dias de hoje por João Padeiro, adquiriu a Padaria Bandeirantes, que funcionou por mais de 30 anos até sua completa destruição em um incêndio.
Alfabetizado pela esposa do fazendeiro e não tendo o que ler se atinha às bulas veterinárias e manuais agrícolas, o que lhe valeu a inclinação para sua especialidade que é a tecnologia da informação, sendo durantes anos programador e analista de sistemas de uma grande softhouse do Paraná.
Escreve desde que se lembra e apesar de passear pelos variados campos de sua profissão, nunca deixou de praticar seu maior prazer: a escrita.
Tendo inclusive ganho o apelido de Forrest Gampi, por sua vontade de contar historias, em suas listas de e-mails e blogs que tem.
Depois de alguns anos fora de Apucarana, deixou o emprego e fez vestibular para Jornalismo, depois Filosofia e atualmente Cursando História.
Divorciado, pai de 3 filhos: Ana Isabella, João Vieira Neto e Guilherme Henrique.
Foi fundador e presidente do Lions Clube Apucarana Cinqüentenário. Presidente do DADEM da FECEA, Secretário do Movimento de Cursilhos. É vice-presidente do Centro de Estudos Jus Filosóficos “Miguel Reale” da Facnopar-Faculdade Norte Novo do Paraná.
Foi Gerente Executivo da ACIA – Associação Comercial Industrial e de Serviços de Apucarana e Executivo da Fundação Cultural de Apucarana.
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