PADRE ANTÔNIO VIEIRA – IDÉIAS
POLÍTICAS E ESTRATÉGICAS
Ricardo Vélez Rodríguez
Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de
Sousa”, da UFJF / CNPq.
Professor Emérito da ECEME, Rio de Janeiro.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do PEN Clube.
E-mail: rive2001@gmail.com
É uma honra para mim tomar posse na Academia de Letras do Centro Norte do
Paraná, na cadeira cujo patrono é o Padre Antônio Vieira (1608-1697). A Academia está de
parabéns pelo fato de ter criado essa cadeira sob o nome do grande pregador
jesuíta que, como veremos, tinha uma ideia muito clara e original do que
deveria ser a posição do Brasil e de Portugal, no contexto das nações da época.
Contexto marcado por uma grande instabilidade que, de parte do pensamento do
padre, exigiria, de portugueses e brasileiros, uma larga visão estratégica para
melhor se situarem nesse conturbado ambiente internacional. Uma clara lição que
deixou o padre Vieira para um Brasil que se debate, hoje, justamente no
contexto da agressiva globalização que vivemos, sem, no entanto, possuir uma
visão estratégica de longo curso. Há décadas o pensamento republicano se situa
no contexto do imediatismo de ganhar a próxima eleição. Poucos são os que
pensam o Brasil da próxima geração!
O Período Iluminista, ao qual pertence o Padre Antônio Vieira, pode ser
dividido em três grandes etapas: a primeira, centralizada ao redor da
ilustração da sociedade pela razão encarnada no monarca absoluto, abarca o
século XVII até 1680; a segunda identifica-se com o período denominado por Paul
Hazard de “crise da consciência européia” [1] e
se estende de 1680 até 1715, correspondendo ao declínio do absolutismo de Luís
XIV (1638-1715) na França; a terceira, identificada com a apropriação das Luzes
pela sociedade, vai de 1715 até 1789, culminando com a Revolução Francesa. O
missionário jesuíta escreveu a sua obra, portanto, no contexto da primeira
etapa, absolutista, da Ilustração. Daí a grande importância que na meditação
vierina tem a figura do Monarca português, Dom João IV (1604-1656), que
centraliza as iniciativas de racionalização do Estado após reaver a Coroa
Portuguesa, em 1640.
Concentrarei a minha exposição do pensamento do Padre Vieira em torno a
dois pontos: a idéia de Quinto Império, de um lado e, de outro, o aspecto
estratégico e político da temporalidade luso-brasileira. Pretendo mostrar que a
mística salvacionista do primeiro ponto complementa-se muito bem com o
pragmatismo do segundo. O Padre Vieira acreditava firmemente na vinda do Reino
definitivo de Deus na Terra e valorizava, ao mesmo tempo,